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QUADRO DE RUI PAES “A MORTE SAIU À RUA NUM DIA ASSIM”

MEMÓRIA  DESCRITIVA  do trabalho apresentado

Título: “A Morte saiu à rua num dia assim”

Técnica: guache vinílico sobre tela

Dimensões:50 x 40 cm

 

Uma alegoria breve

Como fundo, uma paisagem inacabada: a vida do Pintor José Dias Coelho, tolhida muito cedo (aos 38 anos), uma vida inacabada.

Gamo / cervo  –  símbolo da natureza / espírito livre, representando o País, daí as hastes do animal representadas nas cores da bandeira Portuguesa.

Por cada um que é morto, vai morrendo também o País.

O corpo do cervo/gamo em azul índigo, uma tintura exótica, desenraizada da representação real mas que faz a ligação entre passado e presente.

A base vermelha, de sangue e rosas, uma cor dinâmica e renovadora, em constante movimento.”

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convite para exposição na galeria porto oriental, entrega de trabalhos até 15 de junho de 2012

A Noite Dos Poetas

Ó habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade

Invadam tudo comam pessoas
A cantar loas de meter medo
O mundo é mudo pertence às cobras
Que trepam escadas no arvoredo.

Haverá sinais no nevoeiro
Vinho veneno e ansiedade
Só um barqueiro cantando breve
Muito sereno na tempestade.

IÓ habitantes da terra e água
Com os semblantes cheios de mágoa
Saltem depressa para a cidade
Com a promessa da liberdade.

E os poetas a delirar
Devoram lírios no meio do mar
Constroem barcas que o vento vira
Pesadas barcas e uma lira.

A morte saiu à rua num dia assim

A morte saiu à rua num dia assim

Naquele lugar sem nome pra qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai

E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial

E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu

Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina, à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada, há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação

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19 de Dezembro de 1961: passaram 50 anos. a morte saiu à rua num dia assim!

Nasceu em  Pinhel, próximo da Guarda. Ainda muito jovem aderiu à Frente Académica Antifascista, e mais tarde, já aluno da Escola de Belas Artes de Lisboa, ao MUD Juvenil, em 1946. Participante em várias lutas estudantis em 1947, aderiu de seguida ao Partido Comunista Português e, em 1949, foi detido pela PIDE depois de participar na campanha presidencial de Norton de Matos. Em 1952, expulso da Escola Superior de Belas Artes e impedido de ingressar em qualquer faculdade do país, é também demitido do lugar de professor do Ensino Técnico.

Foi assassinado a tiro, pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche, que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa.

José Afonso, no álbum “EU VOU SER COMO A TOUPEIRA”, gravado nos estúdios Celada em Madrid, 1972,  coloca na faixa 1 “ A morte saiu à rua” !

Faz hoje 50 anos, mas como cantava Adriano Correia de Oliveira, não há ventos que não prestem nem marés que não convenham!

Porque a memória NUNCA se apaga…nunca!

Aquele abraço, ”pintor”, AMIGO MAIOR QUE O PENSAMENTO!

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